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Adeídes Rodrigues Pereira -

Só em meio à multidão

Parece tão óbvio que em meio à multidão nos sintamos cercados e protegidos, ou até mesmo fortalecidos. A multidão nos dá a sensação de que somos fortes, imbatíveis e até mesmo super-heróis. Como somos tolos em acreditar que a multidão significa mais do que um amontoado de pessoas, sabe-se lá ávidas por qualquer coisa, podendo inclusive nos sufocar, nos pisotear e matar.

De nada serve a multidão se estamos só. Quando digo só, é na essência da palavra, só como gente, só como componente de uma sociedade, só como propositor de algo, só como defensor de uma ideia ou só porque do nada renunciamos e apesar do cordão de pessoas nos acompanhando caminhamos só.

Mas há um se sentir só muito mais profundo e talvez este seja o que nos leva a viver verdadeiramente só, não importando se estamos em uma roda com 10 ou milhares de pessoas – é o só por falta do amor. Não é este amor banal, que as pessoas brincam e até zombam dele. É o amor que supera a tesão, o sexo, o simplesmente “I love you”, não que tudo isso não seja importante (creio que até seja), mas que isto não seja o fim, porque o amor da cumplicidade que atravessa as noites ou dias aguardando o momento chegar, é o único amor capaz de nos fazer sentir no meio da multidão mesmo que estejamos sós.

“Antes só do que mal acompanhado” é um dito popular que não serve para ser aplicado na esfera do amor. Porque estar só não é bom hora alguma, mas estar mal acompanhado também pode nos colocar em cada enrascada difícil de se livrar depois.

Para não se sentir só em meio a multidão é preciso coragem. Coragem para “só” (de sozinho), assumir e viver o amor, coragem para “só” se entregar sem os medos, as crendices, os rótulos, as cobranças e outras pechas que ainda hão de se inventar. A multidão de nada serve se o assunto é amor, porque se não olhar depressa, pode não vê-lo do outro lado da rua. Tome coragem, pegue o elevador, desça e conheça este amor. Melhor – viva-o, porque a multidão é como a correnteza e pode leva tudo para longe...

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