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Miguel Patrício -

FOGOS DE ARTIFÍCIO

Nossa cidade e grande parte da região têm uma maneira de realizar suas comemorações que precisam ser repensadas. É o costume de soltar fogos de artifício. Esse apetrecho de espalhar a alegria pelo ar é arcaico e, no mínimo, indesejável, já que tomando essa atitude normalmente não se pergunta aos vizinhos se eles estão de acordo.

Não me refiro àqueles fogos que, manifestando apenas um assobio, espalham suas inúmeras cores para o céu, embelezando a noite; estou falando dos outros que explodem abruptamente e o som penetra nos ouvidos machucando os tímpanos, a paciência. O estridente barulho invade sua vida, perturba, molesta, incomoda! Enquanto para alguns esse estampido é motivo de festa, para outros é inconveniente e contribui para machucar o seu bom humor.

Que o barulho dos foguetes incomoda não se pode negar, mas o pior é que ele traz consequências maiores a um idoso, uma criança de colo, um paciente em recuperação no leito de um hospital... E o que muitos desconhecem é que qualquer barulho excessivo causa danos aos autistas, às pessoas que apresentam síndrome de down, outras com problemas mentais e ainda a todos aqueles que utilizam aparelhos de audição, pois os dispositivos colocados no ouvido ampliam o som captado. São motivos suficientes para analisar a viabilidade desse costume.

Acrescente aí todo o desassossego causado aos animais. Sempre que um foguete explode, os poucos pássaros que refugiam na cidade lançam-se em disparada na direção oposta demorando horas para retornar. Os gatos somem todos da vizinhança; e os cachorros, coitados, procuram logo um buraco para se enfiar. Qualquer lugar serve. A maioria chora de medo e alguns até adoecem. É de dar dó, mas o alegre cidadão não vê, ou não se importa, só pensa em si, em seu divertimento, em sua euforia.

Nos últimos meses, tivemos vários motivos de celebração e, consequentemente, muitos foguetes subiram aos céus. Vamos lembrar: O Azulão, para nossa alegria, voltou a existir e já se tornou mais uma vez campeão; o Flamengo ganhou várias competições e sua torcida aproveitou bem o momento; depois vieram o Natal e o Ano Novo, duas bonitas e sempre esperadas datas comemorativas. Tudo teria sido melhor se os fogos de artifício usados fossem apenas aqueles com efeitos de luzes e cores.

Ah, e além da poluição sonora, as estatísticas demonstram um alto número de acidentes com esse artefato. Então é preciso repensar, conviver respeitando as outras pessoas e animais. Se cada início de ano é tempo também de consertar os erros, este é o momento!

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