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Miguel Patrício -

NOSSO PEÃO

Lá se foi o tempo das vaquejadas, das comitivas, do boiadeiro montado a cavalo guiando as manadas, levantando poeira nas estradas do sertão. Hoje pouco resta de tudo isso. O progresso vem apagando dos dias atuais a figura do cavaleiro, seu chapéu, leu laço, seu berrante. Não é mais surpresa encontrar, nas fazendas, o peão galopando uma moto pelos pastos para recolher o gado no fim do dia.

Resta pouco de tudo isso. E parte desse pouco talvez esteja ligada às comemorações regionais, às festas de peão. Por aqui ainda temos esses festejos quase todos os anos e, dentre as atrações, estão os cavaleiros em sua tradicional cavalgada pelas principais ruas da cidade. O barulho dos cascos dos animais no asfalto chama a atenção e as pessoas aparecem para ver cavalos e peões equipados e enfeitados para o passeio. O desfile vai passando e os olhares acompanham sem perder um só detalhe, todos esperando o momento das paradas em que o peão demonstra a sua habilidade no dorso do animal.

É tudo muito bonito. E figuras diferenciadas sempre se destacaram. Precedendo a fila podia-se ver, entre outros, o professor Sebastião, garboso, sobre o arreio de sua montaria. Uma verdadeira atração: elegante no cavalgar, com seu chapéu panamá, roupas de um verdadeiro “cowboy”, de esporas e tudo, e o lenço no pescoço agitando-se ao vento. Ele é o nosso peão, símbolo de nossas raízes. Com o olhar no horizonte, o professor Sebastião segurava as rédeas de seu cavalo e as rédeas dos costumes e do folclore que, em suas mãos firmes, por muito tempo pôde sobreviver.

Hoje nosso peão se foi. Partiu para uma nova cavalgada, mas levando consigo a certeza de que não será esquecido. Seu rosto alegre e seu porte altivo vão viver para sempre em nossa lembrança. E, com certeza, nosso peão vai continuar desfilando, demonstrando sua habilidade nas pradarias do céu. Professor Sebastião, leve consigo, pendurada no alforje do seu arreio, nossa eterna saudade!

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