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Miguel Patrício -

Sonhos!

Das coisas que me chateiam, há uma especial: não me lembrar dos sonhos que tenho à noite. Sempre que acordo, agarro-me às bordas das lembranças de um punhado de aventuras que passo durante as minhas horas de sono, mas não me lembro, não me lembro mesmo! E olha que eu me esforço até os últimos instantes em que pedaços de imagens ainda parecem existir pelo ar, grudadas nas paredes do quarto, em volta de mim. Chega até sair fumacinha na cabeça e nada, tudo vai sumindo e sobra o vazio... O vazio e a certeza de que sonhei a noite toda, ou quase toda.

Principalmente quando como algo mais pesado no dia anterior, um sanduíche, por exemplo, aí sim, eu sonho de tudo, sou mocinho, sou bandido, sou pirata, iço as velas do meu navio e parto em busca do tesouro nas ilhas do Caribe, escalo montanhas, pulo de aviões sem paraquedas, mergulho nas profundezas do oceano em busca das pérolas mais profundas. E faço mais: fico invisível, atravesso as paredes, entro nos banheiros femininos, mas ao despertar nada me recordo, só me vem aquela última cena, aquele trailer final demonstrando que muita coisa aconteceu, só não está ao meu alcance, ao alcance de minha consciência.

Certa vez, após comer um bom prato de macarrão, eu sonhava que finalmente me encontrava com aquela garota. É, aquela, todos têm uma na vida, aquela meio distante, meio impossível, e que o sonho tem a magia de tornar realidade. E eu sei que estava tudo bem por vários minutos, horas talvez. O jardim, o lago, os pássaros, nós dois... Sei que havia beijos e abraços, mas só me lembro de um pedacinho, um mísero pedacinho de sonho em que eu acariciava as mãos da moça, mas logo ela se foi, e eu acordei precisando tomar um remédio para o estômago.

Gente, eu queria tanto lembrar o que acontece quando sonho que estou voando! É uma maravilha, eu penso. Só a sensação do tiquinho que eu trago do mundo dos mortos mostra que seria o melhor sonho do mundo. E é frequente. Quando desperto, estou sobre as árvores chegando a uma cachoeira, me esforçando para subir mais ainda e não consigo. Parece que esse esforço é o que me faz acordar. Mas tenho certeza de que antes disso eu já havia voado por vários outros lugares, muito mais altos, mas não me lembro, não me lembro!

Na verdade, só não importo de me esquecer dos pesadelos. Pelo amor de Deus! É cada sonho feio! Vampiros, lobisomens, mortos-vivos, aquelas mãos tocando em mim e eu tentando fugir, mas não consigo... Ainda bem que, quando acordo, não me lembro de quase nada, nada mesmo, e nem quero lembrar!

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