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A Chuva das Flores

A Chuva das Flores

E finalmente choveu. Era fim de tarde. O tempo estava diferente, queria mudar a estação. Mais calor. As nuvens surgiram desde cedo, consequentemente o sol pouco aparecia e, chateado, já queria buscar o seu repouso. Um vento repentino alcançou as plantações, seguido imediatamente por grossos pingos. Era a primeira do ano, a chuva das flores, conhecida assim em nossa região.
Ausente por muito tempo, a chuva molhou todos os cantos e saciou a terra ávida. As plantas contagiaram-se com a alegria do vento e balançaram seus galhos num ritmo forte, num balé típico da música de Stravinsky. De um lado para o outro, dançaram seguindo a cadência, a batuta de um Maestro invisível. No fim, voltaram-se numa mesma direção, dobraram-se à meia altura, reverenciando e agradecendo pela vida. E ali ficaram por longo tempo, num incansável coro mudo de eterna gratidão.
Dizem que a chuva, em especial a primeira do ano, lava a poeira da cidade e leva mágoas do coração. Seu toque mágico desperta a natureza e a semente desabrocha. Semente de prosperidade, de bons frutos, de boa convivência entre as pessoas. É tudo o que queremos. Movidos por essa expectativa, caminhamos agora em busca de um novo tempo.

Miguel Patrício é professor, escritor e ator
Contato: miguelpaodemel@gmail.com

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