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Não vai ter golpe!

Vivemos momentos de turbulência no Brasil, onde os escândalos relacionados à corrupção se sucedem dia a dia, fato este que tem sido uma constante nos últimos tempos desde o famoso escândalo do mensalão.

O objetivo deste texto não é a critica a determinado partido ou grupo político, mas falar sobre a corrupção que atrasa e contamina o sistema político brasileiro, além de questionar essa política de cisão que o Governo Federal, que se autodenomina Pátria Educadora, vem disseminando em discursos fascistas.

O brasileiro, culturalmente, busca obter vantagem em qualquer situação, utilizando para tanto o famoso “jeitinho brasileiro”, que é algo típico de grande parte da população que sempre busca atalhos para atingir seus objetivos pessoais, não se importando se seu ato é ilegal e/ou imoral.

Daí é importante questionar: A corrupção tem jeito???

Acredito e tenho plena convicção que sim, basta acreditarmos e mudar nossa atitude, visando assim uma construção ética do nosso dia a dia.

Atualmente, estamos passando por uma crise financeira e moral que precisa ser superada e, para tanto, cabe-nos a mudança comportamental.

No início da década de 90, veio à tona denúncias de corrupção praticada no Governo do então Presidente Fernando Collor, em razão de a prática de crimes de enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência.

Naquele momento nascia a geração dos caras-pintadas que consistia em um movimento estudantil que foi às ruas para pedir o impeachment do então Presidente Fernando Collor de Melo.

Há 10 anos outro famoso caso de corrupção denominado de mensalão, compreendia a compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, onde vários integrantes do Governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram condenados.

Agora, novamente vivemos mais um escândalo de corrupção de dimensões gigantescas e com o final imprevisível.

 “Nunca antes na história deste país” um governo foi tão corrupto e covarde ao ponto de criar uma divisão de classes sociais como forma de manobrar uma população com um discurso da “vitória dos oprimidos”, com o intuito de se safar dos crimes de corrupção cometidos.

Recentemente, assistimos a discursos da Presidente Dilma e do Ex Presidente Lula dizendo que não vai ter golpe.

O slogan “Não vai ter golpe!” é gritado como uma forma de defesa adotada pela comunidade petista, como se todos os brasileiros que estão contra a corrupção fossem golpistas.

É importante deixar claro que a grande maioria é favorável ao impeachement, que é um processo democrático de impugnação de mandato por meio de um processo constitucional de cassação de mandato do chefe Poder Executivo pelo Congresso Nacional em razão da existência de crime de responsabilidade, abuso de poder, desrespeito às normas constitucionais ou violação de direitos pétreos previstos na Constituição Federal.

Importante deixar claro que não haverá golpe, mas sim um processo democrático de impeachment que foi defendido pelo PT em um passado recente, quando o Presidente Fernando Collor de Melo teve seu mandato impugnado.

Os movimentos sociais estão se manifestando em desfavor da corrupção e não apenas contra o atual governo, pois não há mais condições de viver em um país onde grande parte do dinheiro público sustenta políticos corruptos que se perpetuam no poder.

O Brasil é um país onde temos a maior carga tributária do mundo, chegando ao patamar aproximadamente 38% de impostos ao ano, dinheiro arrecadado para se manter uma máquina administrativa “pesada” e onerosa.

Infelizmente nós, de forma indireta e inconscientemente, financiamos a corrupção na medida em que permanecemos omissos e sem tomar qualquer atitude contrária, vendemos nossos votos e elegemos políticos ficha suja e/ou políticos despreparados e sem compromisso com a ética e probidade, aliás, é comum ouvirmos “fulano rouba mas faz”.

Precisamos dar um basta e adotarmos uma postura mais responsável, não aceitando o discurso típico de ditadura que busca uma divisão de classes sociais, alimentando o ódio entre as pessoas. Não podemos ser simplistas e acreditar que um processo de impeachment é golpe, pois não de fato é o mais puro exercício da democracia, onde um governo eleito pelo voto popular é destituído de forma democrática.

Vinícius Borges Di Ferreira, Advogado, Especialista em Direito Eleitoral e Presidente da FESG.

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