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O Vendedor de Jacarés

O Vendedor de Jacarés


Mais agitada que o carnaval, mais emocionante que a festa agropecuária, mais quente que os bailes do Cerea. Assim é a política em Goiatuba. Já estamos em setembro e até agora não se conhece definitivamente o prefeito de nossa cidade. Quem ganhou ainda não pode levar; há a possibilidade de haver novas eleições. E a população se diverte: comícios, foguetórios, passeatas e carreatas fazem a alegria da moçada que se reúne, corre e grita bebemorando vitórias, mesmo parciais. Não é exagero afirmar que a festa vigente parece mais importante que a definição do pleito e o consequente bem da cidade.
Nomes de animais - símbolos das campanhas - são proferidos, cantados, ovacionados. Em meio a toda essa balbúrdia, surge uma figura inusitada: um vendedor de jacarés. Andando em meio aos carros, esse personagem agita no ar pedaços de espumas na forma do bicho, prontinhos para serem amassados e arrastados por um cordão preso nas traseiras dos automóveis. Ninguém resiste a essa tentação. De longe pode se ver os olhos esbugalhados do brinquedo pedindo socorro, esfolando-se no asfalto. Para os mais sóbrios, o preço é cinco reais; a maioria, no entanto paga sete reais para ter a satisfação de pisotear o pobre animal.
Assim, o competente empreendedor está “fazendo a feira”. Seu produto é o mais vendido em toda a cidade. O homem já pagou algumas dívidas atrasadas, já mandou dinheiro para a família e agora está pensando em abrir uma caderneta de poupança. Mais que toda a população, o vendedor de jacarés torce para que este imbróglio político dure sempre mais. Até o final do ano, quem sabe...
Miguel Patrício é professor, escritor e ator
Contato: miguelpaodemel@gmail.com

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