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Espaço Cultural -

GORDINHAS

Sou solidário às mulheres gordinhas de nossa região. Conheço várias delas e sei a luta constante que travam para diminuir ou, pelo menos, manter o peso. Reconheço o esforço de todas e, posso garantir, são guerreiras, dignas de nossa admiração. Senão, vejamos...
Elas nunca se conformam em carregar os quilos a mais que possuem. Estão sempre à procura de um remédio, uma fórmula mágica, uma garrafada ou até mesmo uma simpatia para resolver o caso. São capazes até de comer cocô de cobra com uma pitada de xixi de morcego. Vão longe quando corre o boato de alguém que conhece uma receita nova capaz de operar esse milagre. Pagam caro, mesmo sabendo que, na maioria das vezes, não dá em nada. Em busca do peso ideal, algumas até já fizeram pacto com o diabo. Assim vão levando a vida e os quilos, às vezes comemorando a perda de alguns gramas e quase sempre chorando em frente ao espelho.

Não é falta de esforço. As gordinhas fazem regularmente exercícios em casa e não se esquecem da tradicional caminhada no fim da tarde. Levantam às cinco da madrugada, com frio e tudo para malhar na academia: esteira, rampa, bicicleta, jump, pesos, todo dia, mas o teimoso ponteiro da balança pende sempre para o lado direito. Aliás, as gordinhas já conhecem a farmácia da cidade na qual a balança é mais generosa e elas vão somente lá. Chegam sempre antes do almoço e ainda descontam o peso das cintas que usam.

As nutricionistas da cidade não têm sossego. Seus conselhos alimentares são preciosos e, por isso, bastante requisitados. Cada dia recebem uma nova cliente; prescrevem receita até pelo telefone e nas filas dos supermercados. No entanto, apesar dos seus esforços, há sempre uma bundudinha requebrando pelas calçadas. Parece que nada adianta, ou apenas resolve por algum tempo, sei lá. O que sei é que as roupas de suas clientes estão sempre curtas, cheias de decotes devido ao excesso de banha querendo pular para fora.

Não queria dizer, mas o problema é que as mulheres mais robustas se esquecem de fechar a boca. De segunda a sexta até que tentam, enfrentam as saladas, mas quando chega o final de semana, não resistem ao rodízio de pizza no restaurante, ao espetinho com mandioca e à jantinha gordurosa no barzinho, ao pastel de guariroba na feira, à lasanha do domingo regada a coca-cola, ao sorvete, ao chocolate... E o pior, ao costumeiro porre de cerveja para esquecer os dissabores da vida.

Essas guloseimas, todos sabem, são mais saborosas a quem apresenta tendência para engordar. E lá vai o garfo!

Fica o consolo de saber que a maioria dos homens adora uma gordinha, com tanta coisa macia para pegar. Nesse caso, eles não fazem dieta. E o rei da música já disse em uma de suas canções: “Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem de ser magra pra ser formosa?” Tô contigo, Roberto!

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