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PARAR NA FAIXA É UM PERIGO!

Tenho medo de muitas coisas nesta vida: escuro, morte, mosquito da dengue... E atualmente outra fobia me apareceu. Tenho medo de parar o automóvel nas faixas das ruas de nossa cidade. É um perigo danado! Boa parte dos condutores que precedo não tem a mesma intenção, a mesma educação. Não é maioria, eu penso. Os transeuntes ficam ali parados na beira da calçada esperando a fila de carros se acabar para seguir o caminho. Se um condutor se atreve a dar passagem, pode arranjar para si alguns problemas. Ou batem na traseira do seu automóvel ou passam buzinando criticando a atitude. Quando me arrisco, olho aflito pelo retrovisor o automóvel vindo a toda velocidade. Fico torcendo para que ele pare ou desvie. Chego a fechar os olhos temendo a colisão. Semana passada, parei numa dessas barreiras do perigo e um motoqueiro me ultrapassou xingando e acenando. Acho que nem viu uma senhora que cruzava a rua. Parar na faixa é um verdadeiro perigo, principalmente nas avenidas principais da cidade. E aí me vem a dúvida: cumpro a lei e sou educado ou finjo que não vejo as pessoas tentando passar e escapo ileso?

Se no trânsito existissem apenas carros, talvez o problema fosse menor. As motos é que são mais apressadas. Peço licença para dedicar um parágrafo aos motoqueiros. Não, não podem ser chamados de motociclistas. Vivem correndo pelas nossas ruas, como se apostassem corrida, ultrapassam por todos os lados, não esperam sua vez, não param nas faixas, não têm educação. Há exceções, mas são tão raras que passam despercebidas. Parece que vivem sempre fugindo de alguma coisa. Um monstro qualquer os persegue. Uma ambição, um estresse, um saldo negativo no banco, um desses monstros contemporâneos que assombram as pessoas por aí. Logicamente, em algum ponto estratégico, eles se comportam, pois sabem que estão sendo vigiados. Até agora, a sorte olhou por eles, já que as autoridades ainda não conseguiram educá-los. Só resta torcer para que não machuquem as pessoas e não se machuquem nessa correria sem necessidade e explicação.

Como eu gostaria que a nossa cidade conservasse a sua antiga tranquilidade, mas infelizmente isso não é mais possível. Ela está crescendo, caras novas chegando, juntando-se a nós, formando um novo grupo ainda despreparado para receber a civilização.

Os automóveis estão se multiplicando, hoje a maioria das famílias tem dois. Ninguém mais constrói uma casa com garagem apenas para um carro. Isso é coisa do passado. E nesse amontoado de metal e carne humana, não se acha mais estacionamento no centro, não há mais tempo para respeitar as leis de trânsito, não se vê mais cortesia, não existe mais educação.

E assim, boas pessoas já foram embora devido a esses motivos ou semelhantes. É uma pena! Dizem que é o preço do progresso, mas perder a minha cidade é um preço muito alto para mim.

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