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Espaço Cultural -

PEDINTE

Você já pediu? Isso mesmo. Você já pediu alguma coisa a alguém? Não é pedir para outra pessoa, para uma causa, é para você mesmo, por necessidade. Não são pedidos normais do dia-a-dia, estou me referindo a pedir alimento, roupa, dinheiro para adquirir remédio... Estou me referido à triste realidade de necessitar das pessoas. Sei que somente quem passou por momentos assim pode dizer, mas imagino ser uma tarefa ingrata, uma situação de extrema vergonha e humilhação.

O ato de estender a mão à espera da compaixão do outro perante a sua impotência é terrível, degradante. O olhar do pedinte se abaixa buscando o chão, onde é depositada toda a descrença em si mesmo e a revolta pela vida. Se a contrapartida é generosa, um leve sorriso aparece no rosto em sinal de gratidão. E as costas se viram para esconder o pouco que resta de dignidade. Se nada recebe, prossegue o caminho. Conhece a fundo o pensamento egoísta e a alma ingrata do ser humano.

Não ter e ter que pedir é como castigo não merecido, é provação exigida acima do preço. É se anular como ser humano, é chegar ao mais baixo degrau de existência. Depois de cada difícil instante do pedido, a vida só prossegue devido à própria necessidade. O desejo, no entanto, é parar ali, para que não exista outro momento como aquele. Evidente que existem os aproveitadores, mas a necessidade, não se pode negar, também caminha de porta em porta, de rua em rua, pedindo para ser saciada, para ser respeitada.

É preciso valorizar a vida, os bens, a saúde que se tem. Mesmo que se tenha pouco, deve-se agradecer muito. Por ter, por ter e poder ajudar, por não ser preciso sair por aí com a mão estendida. Como é difícil pedir! Todo pedinte merece a minha mais sincera compaixão.

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