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Vale a pena ter um amigo?

Hoje vou puxar um assunto que certamente suscitará opiniões divergentes à minha. Possivelmente perderei um pouco da boa imagem que, por ventura, possa ter por aí. Mas, lá vou eu. Dizem que cachorro é o maior amigo do homem, e talvez seja mesmo. Ele está ao seu lado em todos os momentos e sempre alegre à sua espera quando você se afasta. Se apanha, volta feliz quando você o chama. Ouvi dizer que é o último a ir embora no dia do seu sepultamento. Um verdadeiro amigo, mas será que vale a pena ter um grande amigo assim?

As pessoas sensatas costumam pesar os prós e os contras no momento das decisões. Eu não vejo por aí essa sensatez quando alguém arruma um cachorro. É enorme o trabalho que o bicho dá, são inúmeros os problemas que ele traz, tantos que fica até difícil de enumerar. Pra começar, cachorro é nojento, vive lambendo o traseiro e o dono ao mesmo tempo, e este finge não saber disso. Cachorro fede; mesmo que receba diariamente uma dose de perfume, ele fede. A residência que tem esse animal é facilmente reconhecida pelo cheiro, ou melhor, pelo mau cheiro. As pessoas da casa se acostumam e passam a não perceber, mas a visita nota e, em alguns casos, chega a não voltar. E o cocô? Fica sempre espalhado pelo quintal. Alguns são educados e têm um cercadinho de areia, que também fede. É lindo ver um cãozinho branco, todo limpinho, com as patinhas debruçadas na janela de um automóvel, o vento afastando os pelos do focinho, mas o interior do veículo vive impregnado da sua catinguinha. E, quando desce, ainda faz xixi nas rodas.

Há muitos inconvenientes. Um deles é pedir para alguém cuidar quando a gente viaja. Cachorro late, alguns mais que os outros, e perturba o ambiente em casa, além de incomodar os vizinhos que nada têm a ver com isso. Alguns chegam até a uivar, talvez por estarem na época do cio ou recebendo a visita de algum espírito boêmio. Cachorro morde, é preciso cuidado para que ele não estranhe alguém. E quando isso acontece, o dono é xingado de vários nomes e é dado para o capeta, mesmo que o capetinha da casa seja vacinado. Ainda não falei das despesas com alimento, banho, tosa, corte de unha, vacina para evitar pulga, carrapato, bicheira e outros males. Alguns caem excessivamente o pelo, têm alergia, sarna e necessitam regularmente de remédios. Ah, e cachorro transmite doenças, principalmente quando não for bem cuidado. Dê uma olhadinha no Google e irá conhecer várias delas. O pior é quando ele some... é um chororô, como se a gente perdesse alguém da família.

Já viram que não me dou bem com esse bichinho, não é? E o que mais me incomoda é almoçar com ele em minha frente, com os dois olhos vidrados em mim. Você pode encher o danado de ração, de carne, de osso que ele fica ali até você largar o prato. Parece sentir uma fome que nunca tem fim. E nem adianta ralhar, pois logo o malcriado volta a te mirar, deixando a baba escorrer pela boca. O dono não desconfia, não toma uma atitude e se aborrece quando alguém reclama.
Será que vale a pena ter um amigo assim? Será que compensa ter um amigo e viver falando para ele “vai deitar”? Muitas pessoas não concordam e se recusam a me dar razão. Mas, se você tem um cachorro que não late, não morde, não fede, não some, não é nojento, não faz cocô por aí, não dá pulga e carrapato, não causa doença, não dá despesa, não te olha quando você almoça... observe direito, pois o seu cãozinho é de pelúcia.

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